segunda-feira, 15 de novembro de 2010


Tudo me parece estranho, mas as formas vão se delineando no escuro.
Imagens de medo e terror são reconhecidas pela minha mente.
Clareando lentamente como o amanhecer, as figuras se transformam: eram apenas frutos da minha imaginação.
Me encontro em um quarto pequeno, limpo e mobiliado. "Meu coração", penso e me surpreendo. Não era assim que eu o imaginava. Pensava que ele era como o saguão de um castelo francês do século XIII, ou como uma sala inglesa do período imperial, ou ainda como uma casa de campo na Alemanha, repleta de jardins.
"É pequeno aqui", e úmido, e frio. Como um lamento, faço minha observação mais perspicaz: ninguém habita este lugar.

Como, como isso pode ser verdade? Se amo tantas pessoas, se daria minha vida por algumas delas, se desejo passar o resto dos meus dias com uma? Como nenhuma delas se encontra aqui?


Olho mais uma vez ao redor e noto coisas que deixei passar. Um retrato do meu batizado, o meu urso Tito, meu primeiro caderno de caligrafia, o livro "O Elefante Basílio", o cristal quebrado de minha primeira discussão, o anel dos meus 15 anos, o sangue da minha virgindade, as lágrimas da minha partida, folhas datilografadas com meus escritos, projeções nas paredes com minhas palavras, duras e calmas.

Com horror, noto que o quarto começa a sangrar. Rachaduras que eu não havia percebido antes cospem os detritos do meu órgão involuntário. Lembranças que pulsam meu coração e que o lembra de suas feridas.

Rachaduras mais antigas, remendadas com reboco, começam a inchar. O quarto, encharcado de vermelho, dá sinais de que irá explodir a qualquer momento. "Solidão", penso, e vejo no espelho todos os erros que cometi. Meu rosto, rasgado, costurado e repleto de hematomas, estampa horror. Choro, e um líquido negro escorre dos meus olhos.


Três batidas, rápidas como as do meu coração. À porta, uma figura negra, com asas. Em sua mão, uma seringa com um visco tão negro quanto seus olhos (que destoavam tanto dos seus castanhos!, não pude deixar de pensar). O ser encarou-me, e senti como se minha alma fosse perfurada. Com um único movimento, preciso como ventania, cravou nas paredes do quarto (e só então percebi que tudo ali era formado de carne) o instrumento de suas mãos.


Meu coração foi enegrecendo, contorcendo-se, soltando gemidos acelerados com o som do seu pulsar. Aos poucos foi murchando, cada vez mais negro, e suas batidas foram ficando lentas.

O coração já me sufocava. Porque, desde o momento em que o ser adentrara (e sentia como se ele tivesse entrado em mim), não consegui me mover. Paralisei, não por horror ou medo, mas por não ter pra onde fugir.

O ar me faltava. Meu corpo, coberto por sangue e visco negro, preparava-se pro seu último suspiro.


O ser me sorriu, e seu sorriso era branco e brando.




Desperto.


Minha respiração e pulsação aceleradas. Meu corpo encharcado de suor, meus olhos vidrados.

Olho pro lado e existe alguém ali. Por quanto tempo, não sei. Como um relógio ouço as batidas do seu coração, marcando meu tempo.


A imagem do quarto vazio volta à minha mente. O sorriso do ser invade minhas retinas, e posso sentir entranhando-me no corpo a escuridão do seu lívido desejo.

Matar-me do modo mais cruel. Da maneira mais poderosa.


Em minhas narinas, sinto cheiro de sangue.



"Sozinha", escuto em meu pensamento.
E apodreço em suor, sangue e visco.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Para um anjo alto


As nuvens não estavam desenhadas. O céu não se mesclava entre o roxo e o rosa, e aquele pôr-do-sol não foi doce. O dia amanheceu claro, mas o tempo tratou de acizentá-lo.

Chovia.

As memórias da noite passada, já meio distantes, traziam um gosto amargo na boca. A preocupação, a elaboração de hipóteses, o medo.

E agora, as borboletas no estômago.

Chovia.

Choviam lágrimas dos meus olhos.




Ao lembrar de todas as vezes que olhei pro céu nos últimos meses, voltou-me uma visão. A imagem de um anjo, alto. Cara de guri, sorriso doce, cabelo comprido, barba por fazer. Olhos fundos e gentis. Tão gentis que fizeram eu me perder no primeiro instante.

Um anjo alto. Me estendendo a mão.

Milhares de vezes eu o vi. E o anjo estava sempre ali, a me ajudar. Poucas vezes o vi triste, sem forças. Poucas vezes ele fraquejou. Sua mão nunca se recolheu, eu a encontrava sempre estendida. Oferta.

Certo dia notei o anjo diferente. Seus olhos fundos se encontravam tristes, seu sorriso sombrio, sua altura minimizada pelo encolhimento. A mão estendida em súplica. Pedindo ajuda.

Chovia.

O primeiro pingo verteu dos olhos do meu anjo.

A chuva caiu límpida dos meus. O anjo, clemente, me pedia desculpas, me pedia conselhos, me pedia respostas. Eu não as tinha. Eu nem sequer podia perdoá-lo porque, eu queria que ele entendesse!, não havia o que perdoar. Eu também não tinha as soluções, não tinha a poção que o faria parar de pingar.

O segundo pingo brotou da consciência do meu anjo.

Porque ele se deu conta da sua condição. Errou, e agora sofria por isso. Carregava nas mãos o peso de um mundo (eu via esse peso refletido em seus olhos fundos), sentia em suas costas o porvir fatal (eu sentia em seu abraço apertado o quase-medo que lhe cercava). O anjo me disse, entre temporais, que não podia perder o que tinha. Que não queria.

O terceiro pingo escorreu pelo canto do olho do meu anjo.

E então, ele sorriu. Percebeu que não estava só, que era amado. Ah, sim, anjo, era muito amado. Que, ainda que uma nova vida tenha começado, que erros graves tenham sido cometidos, que consequências teriam que ser encaradas, não passaria por isso sozinho. Sim, havia um outro anjo, com um olhar puro e um sorriso apaixonante, com ele. E uma mortal, que os amava com todos os batimentos acelerados de seu coração.




A chuva parou.

E no sol, entre nuvens descarregadas, pude ver mais uma vez a imagem do anjo alto. Seu sorriso era doce novamente. Sorri de volta.

Olhando em seus olhos (fundos, sempre fundos!) notei que compreendeu a mensagem. Ele não perderá o que tem. Jamais.


Sua mão não está mais estendida pra mim.

Agora andamos de mãos dados.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Para um velho amor



Nunca, nada nunca acaba.

Não acaba porque foi intenso, porque é verdadeiro, porque será eterno.

Nunca, nada nunca morre.

Porque ainda que, aos poucos, o tempo desgaste os compassos da nossa melodia, e o ritmo vá se distanciando da salsa e se aproximando da 5ª sinfonia de Bethovenn, não cessa. Os corações ainda pulsam embalados pelo bolero da meia-noite.

Nunca, nada nunca perece.

Sempre existe a memória, prece de todos os dias, pra nos recordar do momento passado. O momento presente, esse sim, é formado por precisas ligações entre o anterior e o próximo. O esquecimento não existe. Ele apenas é um lapso atemporal de nosso espaço.

Nunca, nada nunca sobrevive.

Sobreviver é uma conturbada forma de seguir em frente. É estar sobre a vida, além dela. O amor não sobrevive. Ele vive. Ele revive.

Nunca, nada nunca passa.

Porque mesmo se tornando passado, não passou exatamente. Ficou guardado em alguma gaveta das lembranças, dos eternos, das revistas.



E não pense que "velho" é um pejorativo. É apenas pra lembrar o quão antigo é esse sentimento nutrido por duas almas que são velhas conhecidas. Porque não, não pode ser dessa vida.

Esse amor é muito mais antigo do que eu.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010


Vá pro inferno com o seu riso! Não, não vá, não, por favor, se for, me leva contigo. Me perdoa, eu estou confusa, meio perdida, sei lá. Quero te dizer algo importante, só não sei como. Estou com frio. Não, não quero um casaco, obri-. Não, também não quero entrar, só quero que me escute. Eu sei, ficar no sereno faz mal, eu sempre estou pesteada, posso me gripar, eu sei, mas é rapidinho, só me escuta, só preciso te dizer algo. Eu só queria te dizer que eu li sim aquele conto que você pediu pra eu ler, meio confusa aquela coisa, sobre avencas, samambaias, pinheiros. Sim, sim, muito bonito, é verdade, o cara escreve bem. Não, não achei engraçado, é bem sério, muitas vezes as pessoas não escutam e simplesmente partem. Você está fazendo isso agora e nem se dá conta, olha pra mim, por favor, por onde você anda? Sempre viajando, sempre tão longe. Sim, as nuvens, bem bonitas. Isso me lembra uma fala do meu texto, voar e. Espera, me escuta, volta pra cá. Isso, me abraça, o teu calor espanta o frio, às vezes você fica tão distante... Não estou reclamando, só estou dizendo que. Eu entendo, sei que tens pouco tempo, muitas coisas pra fazer, mas será que a gente não poderia agir normalmente pelo menos por aqui? É que as vezes parece que você foge, que vai pra longe e tenta me evitar - não, eu não estou te acusando. Me escuta, eu só sinto a sua falta. Falta, entende? Não, não ria, por favor. Isso é sério, eu sinto sua falta e. Vá pro inferno com o seu riso!

sexta-feira, 29 de outubro de 2010


Como presa em um pesadelo, sempre volto para o meu ponto de partida.


Fujo. E não adianta.

Corro.
Em uma esteira.

E grito. Grito muito. Grito mudo.


Choro. Desesperadamente, silenciosamente.



Porque não encontro minhas respostas.


E eu pergunto "O quê eu faço
?"
E ninguém sabe me responder.



Continuo pulsando o medo e a covardia, a culpa e a vergonha.

Continuo a correr.


Eternamente em círculos.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010


Borboletas na janela
Dançam ao ritmo
Da minha melodia.

Sorte.

terça-feira, 26 de outubro de 2010


Não doeu. Incomodou.


Eu já sabia. E não era no fundo, era na camada mais externa da pele. Eu sentia. Eu tocava essa idéia com os dedos da minha alma.
Não acariciava nem batia.

Apenas apalpava, com uma curiosidade quase ingênua.


Quando você verbalizou, foi quase uma canção. Uma canção de consolo, não de lamento. Como se estivesse contando a uma criança que seu bicho de estimação havia morrido. Ou ido pro céu.


Quando reagi, foi estupidamente. Apenas disse "Eu já sabia". E pensei todas as coisas que escrevi, mas não disse nenhuma delas.


E então, o soco. Não era alguém qualquer. Não era indiferente pra você. E você só disse "Eu não queria ter feito isso".


E ainda não doeu. Só incomodou.


Como um capim que de alguma forma misteriosa, entra no sapato mas não machuca, só incomoda. Ás vezes até faz cócegas.


E o mais estranho de tudo é como agimos agora. Como fui pra casa com a cabeça cheia de coisas pra pensar, como nos despedimos de modo tão... reticente, como oscilamos entre o agir normalmente e a estranheza quando estamos sós...



Mas isso não dói. Só incomoda.



Porque a minha intuição me preparou pra tudo isso. E, como você diria, graças a Zeus não me apeguei.


Só não quero que fiquemos assim. Porque te amo, te amo muito, e não quero te perder, nunca. Você já faz parte da minha vida. E odeio esse abismo que vezenquando se cria entre nós. Não quero que nos afastemos.



Porque aí sim irá doer.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Respirar

Foto: De sombra e luz
Autor da foto: Ricardo Fernando da Silva


Duas respirações. Um compasso.

Eu sentada no chão, você deitado no sofá. Minha cabeça deitada em seu peito, seu braço me envolvendo pela cintura, sua mão me fazendo carinho nos cabelos.


600 segundos. Segundos de eternidade. Segundos dobrados, triplicados. Multiplicados por cada batida do coração.

600 segundos. E nada.

Tua mão desceu do cabelo para a orelha, da orelha para a nuca, da nuca para o rosto. Meus pontos fracos, mas você não sabia disso.

O braço na cintura me prendia como em um forte, me trazia pra mais perto.

Milhões de pensamentos.


A mão em minha bochecha se aproximava carinhosamente da boca. Aceleração.

As batidas do meu coração ficaram mais ligeiras.


As batidas do teu, que eu ouvia, também.

Medo.

Tua respiração se aprofundou, a minha quase paralisou.

Mais medo.

Interrupção.


Você se ajeitou no sofá, abriu lugar pra mim.


Conferimos os horários, deitamos os dois no sofá.


O teu braço, novamente, na minha cintura.


A tua mão, novamente, nos meus cabelos.


Os nossos rostos a poucos centímetros de distância.


Silêncio.


Conversa. Bobagens.


Um beijo no rosto diferente de todos os milhares recebidos antes.

Um beijo de provocação.


Medo.

Fuga.

domingo, 4 de julho de 2010

Fogo

Foto: Diamantino Abobeleira


O fogo crepitava. Seu riso era como sinos soando distantes e suaves, seu sorriso fazia vezes de sol, que não raiava.

Seus gracejos faziam todos gargalhar, suas imitações de mulheres... bem, da vida, criavam minutos de pura euforia.

Hoje, quando penso sobre isso, me questiono se era fingimento. Difícil acreditar. És ótima atriz, mas ninguém é tão perfeito. Acredito que as coisas estavam um pouco mais amenas do que hoje.

Também não sei dizer em que ponto tudo mudou. Não existe um marco de tempo. Aos poucos, fui percebendo. Ainda acho que demorei muito, talvez, ou não quisesse assimilar e aceitar tudo.

Até que, numa certa tarde de terça-feira, por coincidência, nublada, te procurei. Seus olhos inchados ardiam mais do que o fogo dos seus cabelos. O brilho, quase apagado, se renovava quando o que brotavam eram lágrimas. Foi a nossa conversa mais sincera, acredito. Te falei das caixinhas, me falaste dos sonhos. Choramos. E senti uma tristeza enorme ao te ver assim. Ao me sentir inútil, impotente. Inerte num campo de batalha que, agora, também era meu.

Te senti próxima. E senti um laço que não se romperia facilmente. Nem com a distância.

Todas as vezes que disse que te amava não foram mentiras. Nem leviandades. Amo você. Inexplicavelmente, e sem motivo aparente. Simplesmente amo. E me preocupo, demais.

Por isso quero o melhor para você. Como te disse todas as vezes que conversamos sobre isso, escolha aquilo que te fará bem. Sem pressão, sem preocupações. Só o que o seu coração e a sua mente te pedem.

Seja qual for sua decisão e o lugar em que estará, sempre estarei contigo. Meu apoio é eterno.



O fogo? Continua aí, balançando contra o vento. Não se apagou, não. E continuará a queimar enquanto alimentares ele. E eu ajudarei em mais essa tarefa.

Amo você, meu fogo.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Leoa


Se houver uma luta, eu me retiro. Não vou brigar. Não vou me ferir, me despedaçar, machucar outra pessoa por amor. Sou uma falsa leoa. Acuada, por medo. Mais do que medo, por dor.
Se houver outra, não vou reclamar. Porque o esquecimento é normal, somos humanos. E amar faz parte do ciclo de vida, é necessário.
Se houver pretendentes, não roubarei a vaga. Não poderei conviver com a culpa de, talvez, ter roubado a felicidade de alguém.

Não vou lutar. Porque não tenho forças.

Porque mesmo que bastasse um "sim" pra você me escolher, eu não conseguiria pronunciá-lo.

A leoa está ferida.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Foto: Aqui onde te espero...
Fotógrafo: Vieirinha.


A solidão é mais amiga, mais abrangente. É mãe.
Em um banco solitário, cabem 4 pessoas solitárias.
Em um banco de amor, apenas 1 casal fica a vontade.

Quem é mais viável?

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Foto: Clocks #1
Autor: Marcel Bianchi





E ainda pensas
Que eu não sentiria sua falta
Se passasse 10 anos longe de ti?



Ah, garoto, como és ingênuo!
Morro de falta
A cada segundo longe do seu amor!

segunda-feira, 7 de julho de 2008


Foto: In Your Hands...
Autor: Alberto Viana d'Almeida


Eu tento transformar meus sentimentos em palavras, querendo expressar as emoções que afloram em mim. Sei que você nunca lerá isso, talvez por falta de coragem da minha parte, talvez por falta de atenção da sua. Mas, mesmo assim, quero dizer o que sinto.

O nosso amor poderia ter dado certo. Ele poderia ter sido diferente. Com um pouco mais de sinceridade sua e paciência minha. Isso bastava, porque amor a gente tinha de sobra. Mas essa não é a hora de apontar defeitos, até mesmo porque já acabou, e o que passou não volta.

Quero falar sobre o que você significou pra mim. Você foi mais do que uma aventura, foi mais do que um simples namorado. Afinal, foram um ano, dois meses e três dias juntos, num total de 429 dias. Foi muito tempo para o mundo em que vivemos.

Nesse tempo juntos, não fomos somente namorados. Fomos amigos, amantes, casados. Muitas vezes você me chamava assim, de sua fada-amante-esposa-namorada. Éramos completamente apaixonados um pelo outro. E o nosso amor ultrapassava tudo e todos que eram contra aquilo que vivíamos.

Você foi tudo pra mim. Era você quem estava do meu lado quando eu precisava. Você secava minhas lágrimas, me fazia sorrir. Você me abraçava e me fazia sentir coisas que não sei explicar, só sinto com você. Eu me sentia segura nos seus braços, como se nada pudesse me atingir. E o seu carinho era o que me acalmava, me consolava, me fazia feliz. Os seus beijos me mostravam que eu não precisava de tudo, só de você. E era só você quem eu queria.

Talvez você me recrimine por estar colocando isso aqui. Você nunca gostou daquilo que eu escrevia. Mas eu te entendo, você é um homem de cálculos. E apesar de essa e todas as diferenças, nós nunca nos importamos. De verdade, tudo o que eu queria era viver toda minha vida ao seu lado, para sempre. Até ficarmos bem velhinhos e morrermos juntos dormindo, de mãos dadas. Era isso que você dizia pra mim. Era isso que você queria. Eu sei disso, amor.

É por isso que não entendo o que deu errado. Por que o passado precisava vir nos assombrar agora? Estávamos tão felizes, não tínhamos medo de nada. Só queríamos viver. E aí, sua história voltou. Não que tenha sido algo grave, mas minha confiança foi abalada. Eu pensava que sabia tudo de você, tudo do seu passado. E aí surge isso. Repentinamente, sem prévio aviso. Fiquei em estado de choque. Eu não queria acreditar. Eu queria que você não me deixasse acreditar.

O nosso fim foi triste. Silencioso, resignado. Ignoto, até. Poderia ter sido diferente. Mas não foi. E aqui está sua segunda chance. Nossa segunda chance. A minha esperança (pouco provável, confesso) é que você leia isso daqui e entenda o que quero te dizer. Entenda que te quero de volta, sem me importar com nada. Que te amei, te amo e sempre vou te amar.

Eu te espero, tá? Ainda que você nunca venha, continuarei a te esperar...


Da fada eternamente sua.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Dia da Poesia!!

Foto: Mirando o Ouro da Porta do Sol
Autor: Jandi

Quem é ela?
Quem é essa que bate na porta
durante a madrugada?
Quem é essa moça
Pequenina
Que toca um sino
Durante o dia?
Quem é essa senhora,
Maldosa
Que faz silêncio durante a correria?

É poesia, seu nome,
Que invade e consome
Os corações serviçais.

Poesia,
Minha menina,
Não nos deixe jamais.

segunda-feira, 10 de março de 2008


Foto: Sophia
Autor: Catarina

O que acontecerá na minha vida
Só o tempo dirá.
Até lá,
Esperarei os impropérios do lugar
Onde, oxalá,
Os meus anos irei passar.

Onde será?
Na poesia, direi,
A minha vida hei de completar.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Hai-kai ao Cinema

Foto: Mundos imaginários
Autor: Luis Garção Nunes



Em uma grande tela
Imagens consesuais:
Poesia visual.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Foto: Sem título
Autor: Alexandre P.
Onde foi parar a menina dos olhos da cor do céu
E do mar?
Estará debaixo da terra
Onde é o seu lugar?
Ou andará pelo mundo há vagar
Buscando as incertezas da vida?

Aonde encontrará essa pobre menina
As respostas que há dias
Vem tentando encontrar?
Será seu desejo realizado
E o mundo e o seu lado
De repente se arranjar?

Menina, menina
Menina que chora vê,
Até quando o teu mundo
Viverá a morrer?

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Campanha "Perca um Livro"!

Nome: O coração
Autor: Nuno Ricardo Chaves

Lendo o título, vocês devem estar me achando uma louca...Mas essa é a mais nova campanha de incentivo à leitura lançada no Brasil...Já esteve funcionando na Europa, e no Brasil já está sendo um grande sucesso.


Participar é fácil:

1. Leia um bom livro;
2. Cadastre o livro e escreva seus comentários para pegar seu código único e a etiqueta correspondente ao livro;
3."Perca" o livro em um lugar público.

De posse do código o leitor poderá rastrear pelo tempo que quiser os caminhos percorridos pelo livro.

Gostou?Eu tenho certeza que a pessoa que receber o livro gostará muito!

Tá aí a minha dica...


Site para cadastro do livro e maiores informações: http://www.livr.us/

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Foto: Exaltação de um turbilhão colorido I
Autor: Ana


Perdão.O ato mais bonito, o sentimento mais terno.Negros são os momentos que o antedecem, mas a paz que se estala após o seu concílio é reconfortadora.

A paz de ter a certeza de que esse amor não se perderá, que sobreviverá ao tempo e a todos os obstáculos que podem cercá-lo.


O amor é o único sentimento que cicatriza rápido uma ferida.

Por que?

Porque amor não se sente só.


Eu te amo.


♥


sábado, 2 de fevereiro de 2008

Nome: Despertares
Autor: Patricia Cohen


Perdão.
Talvez sem sentido
Pareça essa palavra
Na contramão do destino.
Talvez sem encaixe,
De praxe,
Sem sintaxe.

Você.
Quesito número um
Indispensável
Para o meu viver.


Causa da morte:
Um não achou sentido para a palavra perdão...
=/



Amor, eu sinto muito por tudo...

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Foto: O Pianista
Autor: Tiago Xavier


Teus versos

à Pierre Nazé


Sentada em um sofá branco,
Porém impuro,
Li os teus versos.
Alguns me fizeram chorar,
Outros, pensar,
Muitos, gargalhar.
Havia algo que te denunciava,
Que te gritava,
Que mostrava que estavas ali.
Era o teu jeito de escrever,
Inconfundível,
O jeito que sempre quis ter,
Mas que me conformei
Em perder.
E sendo eu,
Minha admiração por ti só cresceu
E ainda cresce.
Por isso (e por outras)
És meu ídolo.
Meu herói.
Meu irmão.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Foto: Magic Numbers
Autor: Ana Franco





-Você acha que eu vou brigar com você?
-...
-Vocês queriam me tapear, não é?
-Não, não é isso, é que...
-Deixa quieto.



O teu sorriso me incomodava.Esfaqueava o meu coração, oprimia todo aquele amor.O teu sorriso era daqueles que existe apenas pra ocupar o lugar das lágrimas que estão a brotar.



Não deu pra falar, mas talvez você já saiba, eu não sei mentir pra você.Não sei esconder nada de você.O teu olhar desnuda a minha alma.



Way Back Into Love...



Pra você...






Eu queria ter tido aquela conversa
Aquela conversa que não tive coragem de iniciar,
Que não terminaria se iniciasse
E que me salvaria se terminasse.
Eu queria ter tido aquela conversa
Que livraria meu coração do afogamento,
Que sufocaria as lágrimas do olhar,
Que me traria de volta à você.
Eu queria ter tido aquela conversa
Na qual você me perdoaria
Dos erros acertados que cometi,
Dos acertos incompletos que suspendi.
Eu queria ter tido aquela conversa
Que me faria sua,
Que te faria meu,
Que nos uniria pra sempre.
Eu queria ter tido aquela conversa...
Aquela conversa que nunca aconteceu.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Foto: Mundos imaginários
Autor: Luis Garção Nunes


Entrei no banco e sentei na cadeira da fila.Ao lado, tinha uma garotinha.Morena, cabelos cacheados, muito bonita.



-Vó, pra quê são aqueles buracos ali na parede?
-Não sei.
-São pra colocar luzes. - eu disse.
-Mas pra quê luzes?Já tem muitas aqui!
- ... (O homem nunca se contenta com o que tem)



Fiquei pensando como aquela garotinha sabia mais do mundo do que eu.Devia ter 4 anos, 5 no máximo.Seu nome era Vanessa, foi assim que ouvi a vó dela chamá-la.
Um homem sentou do meu lado.



-Ele é seu primo?
-Não.
-Seu namorado?
-Não.


Ela olhou para o envelope nas minhas mãos.



-Ah, você trabalha!
-Sim. - sorri.
-Onde você mora?



Pensei.



-Lá pra baixo - respondi.
-Como é o nome do seu filho?
-Hã?
-Como é o nome do seu filho?
-Eu não tenho filho.
-Você nasceu pra mãe e está sem filho?!
-...
-Ela é moça ainda, Vanessa.Ela nem casou ainda!Pergunta pra ela se ela é casada.
-Você é casada?
-Não.
-Ah, quando minha mãe era moça ela tambem não casava.



Parei.Fiquei pensando no que aquela garota disse.Eu era uma mãe sem filhos.Quem sabe.



-Você não parece humana...
-Como?
-Parece um daqueles serzinhos pequenos do Sítio do Picapau Amarelo...
-Uma fada! - disse a irmãzinha dela.



Sorri.Talvez eu fosse uma fada.
O terceiro caixa abriu.Eles chamaram os que tinham mais de 3 documentos.Me separei da pequenina.
Na saída, perguntei sua idade. 4 anos. Me despedi.



-Tchau, pequena.
-Tchau, fada.



Aquela garotinha marcou a minha vida.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Foto: Vou...ou fico?
Autor: José Reis


Quem não tem, não perde.
Quem não quer, não ganha.
Lei da vida?
Mais ou menos...
Implicância do meu ser.
Não sei bem o que sou,
Mas sei o que desejo.
Não amo,
Ou será que sim?
Não importa,
O que importa é
Ter você pra mim.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Foto:'sem título'
Autor: Miguel Rezende

Vida,
O que fazes de mim?
Com teus conceitos trágicos
Mudaste a forma do meu ser,
Tens me transformado,
Que mutação é essa?

Metamorfose secundária,
O amor produziu em mim.

Adeus, amor.
Você se foi,
Depois voltou,
E agora?
Adeus, meu ex-amor.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Foto: Cores
Autor: Zélia Paulo Silva

Cores

à aquele que encheu de cores a minha vida


As cores mexem com meu interior.
A cada cor, uma nova lembrança,
Um novo gesto,
Um sorriso ou uma lágrima.

As cores remetem a mim a intensidade de um sentir,
A nobreza de um olhar,
A delicadeza de um sorriso,
E a lembrança de um porvir passado a esperar.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Foto: Sitnear
Autor: Gonçalves

- Tenho medo.
- Medo de quê?
- De estar crescido.
- Oh, então não se preocupe.Ainda não aconteceu.
- Como você sabe?
- Adultos não possuem esses medos importantes, somente medos banais.Só se preocupam com o tempo, dinheiro e trabalho.
- Quer dizer que ainda sou madura?
- Sim, você ainda não regressou ao estado em que estamos (quase) destinados a chegar.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007


Autor(foto): Délcio Capistrano





Poesia:
Sol que nasce noite e dia
Enchendo de alegria
As nossas horas infernais.
Maresia.

sábado, 15 de setembro de 2007

Foto: Não me fales de...
Autor: Rui J. Santos

Tantas coisas decorreram
No correr de um dia,
Numa volta de um relógio,
No toque daquela melodia.

Tantas coisas inesquecíveis,
Imbrotáveis, irreconhecíveis,
Que nem sei ao certo
Se é verdade o que eu te disse.

Será verdade que o amo,
Que o quero sempre mais?
Será verdade que te estranho,
Estranho-te por amar demais?

Juro-te, amor, que não sei o que me passa!
Uma fraqueza, uma ressaca,
Não te posso explicar!
Se ao menos eu soubesse...

E soube!
Sim, um dia soube,
Mas não o sei mais...
Perdoe-me, meu bem,
Não o posso recordar!

Se ao menos eu soubesse...

sábado, 1 de setembro de 2007

Foto: O coração
Autor: Nuno Ricardo Chaves

Tão complicado é o amor.
Tão austero e irresoluto,
Sempre pronto e inseguro
Não acredita em si mesmo,
Não, amor.

Nem que as ondas passem
E lhe convença do seu fervor,
Nunca o amor sucumbirá ao terror
De se orgulhar em si mesmo,
Amor.

Não se contradiga
Não mate, não obriga
O orgulho a reagir
À tão modesta vida,
Não, amor.

Porque se contrário é,
E se ajudado foi,
Não se pode esquecer
Que tão amante é o amor.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Foto: In Your Hands....
Autor: Alberto Viana d'Almeida

Pela primeira vez, tomo cuidado para não escrever alguma coisa que me prejudique. É... pela primeira vez, agora eu vejo que tenho que tomar cuidado, porque descobri que existem pessoas como eu mesmo que escrevem do jeito que escrevo, que pensam do jeito que penso e esperam reações de mim da mesma forma que espero delas. Por isso, tomo cuidado.
Não estou na casa da mãe Joana e este lugar aqui não é o mundo em que eu vivo.
O meu “mundo virtual” é o máximo de perfeição que espero de mim mesmo. Não vou entrar na criatividade das pessoas e fazê-las pensar da forma que eu penso, porque isto para mim é covardia – ou, quem sabe, o contrário.
Ela sempre me disse que pensa como eu penso, que age muitas vezes como eu ajo e sente muitas coisas do jeito que eu sinto. Por essas e outras que eu digo, exclamo e grito para tudo e todos que esta é minha irmã (gêmea).
Há tempos que eu percebi isto, e sim, posso até não estar, mas me sinto seguro em postar e falar a minha opinião para “qualquer um” – porque eu não sei quem lê aqui. E me sinto seguro assim porque confio na pessoa que passa isto para que os outros lerem. É do tipo que a gente dá a vida e um pouco mais se fosse preciso, porque eu sei que ela cuidaria melhor do que eu faço (é.. não é muito difícil fazer isto, eu não cuido mesmo.)

E eu simplesmente não cuido porque eu acredito em escolhas da vida. Aquela história de destino não existe pra mim. Quem tem destino traçado, já tem vida definida – e não tem o que viver, porque não tem escolhas. Não vive, não faz nada! Destino não existe, o que existe são as escolhas. São suas próprias escolhas que traçam seu caminho.
Quem vive pelo destino apenas obedece às ordens de um terceiro, que acha que aquilo é melhor – ou pior – para você.

Minha irmã é especial, e quero que todos saibam disto, porque vou provar e comprovar de que ela é especial do jeito que eu gosto, do jeito que só eu entendo e do jeito que só ela pensa.
Porque juntos, viramos um só.

do poeta ilusionista para a garota dos contos de fada.

Odestinonosuniu.

domingo, 19 de agosto de 2007

Foto: Casa de Brinquedos
Autora: Karina Bertoncini

Mesmo sem saber o porquê
De continuar a escrever
Sigo letras e palavras
Neste meu conto infantil.

E quanto mais falo,
E quanto mais vivo,
Mais perto sinto
O motivo do meu sorriso.

Não que ele seja tu,
Pois não sei se és digno disso,
Mas pode ser o fundo
Da verdade em tua frase delicada.

E quem sabe o tempo nem passe
Ao estarmos juntos nessa ciranda cirandinha,
E talvez o mundo viva
Uma nova fase de infância.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Foto: Picauto 2
Autor: Zig Koch


à Alan Apio


Lei Seca

Me concentro em uma linha
Uniforme e retilínea
Dos meus pensamentos ideais.
E quem sabe um dia passe
Esse choro repentino
De liberdade e compaixão,
Vivendo intensamente
As mudas proibições
De um modelo falso de vida.
Portanto as minhas tentativas
De escapar dessa lida
De sentimentos triviais
Foram ocultadas pela sina
De um homem mágico, trinta
Possessor de uma paixão infernal.
E o ladrãozinho do meu ser,
O batedor da carteira de Deus,
Perdeu-se na vinícola
De um amor roxo, por seu.
Matou-se uma bela videirinha,
Filha de uma colina
Benção de várias estatais.
A Lei Seca logo se foi,
E a pobre pipa mal se lembrou

Que seu vinho sangrento era cheio de dor.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Foto: Lágrimas Indizíveis
Autor: Álvaro M. M. Pereira



Véspera

Sombriamente
Procuro os lugares mais reclusos
Para passar o meu tempo.
E nos cantos escondidos
Marco o tempo,
Remarco,
Passo.
E vejo que, apesar de tudo
A vida continua igual.
Com treze ou quatorze,
Não importa,
Serei sempre a mesma:
A eterna criança que sou.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Autor e Título Desconhecidos

Um violeiro parte.
Ele deixou a cama desarrumada,
O café esfriou a sua espera.
Ninguem sentiu sua falta,
Ninguem notou a sua ausência,
Apenas a partitura
Jogada em um canto.
A voz cessou,
As notas não voltaram a soar.
Um violeiro partiu.
A Morte cessou as esperanças
De uma nova canção.

sábado, 28 de julho de 2007

Foto: Simples momentos
Autora: Manuela Viola

A poesia nasceu
E voou
Pro céu azul
Mar.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Foto: Rope
Autor: Alexandre P.

O tempo se foi
E eu nem percebi
A água se ir
Pelas ruas da cidade.
A chuva voltou
E eu nem reparei
Nas gotas finas
Sobre o meu chapéu.
O menino caiu
E eu nem vi
O cigarro em sua mão
Que queimou a sua pele.
A vida se esvaiu
E eu nem vivi
Os momentos que passaram
Diante de mim.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Foto: Sentidos opostos
Autor: Paulo Madeira

Posteriores em suas lidas,
A cada acaso da vida,
Mentia noite e dia
Pra buscar o seu melhor.
E quando á ela encontrou,
Não olhou, nem reparou
Nas consequências que isso trazia.
Depois se zangou,
Reclamou e disparatou
Contra a pobre andorinha.
Voa, menina, voa
Que a gaiola não sabia
Que tu ainda tinhas um coração!

terça-feira, 10 de julho de 2007

Foto: No Way
Autor: Mateus Morback

Sinto.
Nada escrevo,
Logo não existo.
E se não tenho ânimo?
Não existo.
E se me falta vontade?
Não existo.
Falamos de sentimentos...
Por isso não existo.
Porém, como o mundo está mudado!
Hoje,
Nada tenho,
Não existo.
Não tenho dinheiro,
Não existo.
E se me falta posição?
Não existo.
E os sentimentos?
De nada valem.

Pronto, o mundo se acabou.

sábado, 7 de julho de 2007

Foto: ...o momento certo é agora!!!
Autora: Susana Febra Ferreira

Ah, sim, a poesia...
Que tanto bate
Que tanto late
Que tanto rouba.
A poesia,
Que tanto rói
Que tanto destrói
Que tanto chora.
A razão de viver
Que busca
E rebusca
Nas palavras
O seu coração.
Ah, a poesia...

sexta-feira, 6 de julho de 2007


Foto: Nó
Autora: Ana Luísa Gomes Rodrigues


Dia de decepções
Figuradas por escrever
Em um mundo de caras,
De máscaras e pó.
Dia de traumas
Encravados por perceber
Em um coração de amarras,
De artérias e nó.
Dia de marcas
Reparadas por receber
Em um corpo de casas,
De massas e só.
Dia de mentiras
Separadas por entender
Em um poço de lamas,
De gramas e dó.
Dia meu
Restaurado por dizer
Em um jogo de cartas,
De truques e só.

quinta-feira, 5 de julho de 2007


Te espero
Mais uma vez
Por não aprender
Que minha sina
É ficar sem ti.
Sinto vontade de escrever
Para dizer
E expressar
Toda essa raiva e dor
Por você não estar aqui,
Por não me quereres mais.
E tenho vontade de fugir
E de demonstrar
Que você não é tudo pra mim,
Que eu sei estar só,
Que sou completa
Por mim mesma,
Tenho dó.
Tenho dó de ti
Por pensar que não vivo sem
O seu amor
E o seu perdão.
E tenho pena de mim
Por realmente
Não saber viver sem isso.
E busco,
E meço,
E recomeço
Esse começo sem fim.

terça-feira, 3 de julho de 2007


Entre espelhos
Vejo minha imagem refletida em vários ângulos
Me sinto presa
Em um mundo de disfarces e gôndolos
Que determinam
Que roupa eu devo usar
E que pessoa eu devo parecer.

Entre pessoas
Vejo um mundo diferente do meu
Me sinto negra
Em um mundo de mentiras e falsa perfeição
Que apontam
Quem eu posso ser
E com quem eu posso estar.

Entre quatro paredes
Vejo aquilo que realmente sou
Me sinto bem
Em um mundo particularmente meu
Que permite
O meu ser diferente e irracional
Estar liberto das cadeias que o mundo impõe.

sábado, 16 de junho de 2007


Personagem abismado
Personagem animado
Escrevendo a história
Do meu sonho encantado.
Entre abismo e profundezas
Entre céu e paraíso
Busco o afrodizíaco
Ritmo angelical.
Concorentes alados
Cavalos remados
Vida diversa
Em gibis quadrados.
Histórias malucas
Em TV 29 polegadas
Razão misturada
No conto de fadas
Na historinha de faz-de-conta
Que vivo eternamente contigo.

sexta-feira, 25 de maio de 2007


Sim...
Foi seu sétimo aniversario
De morte.
Tanto tempo faz
Que estou sem você.
Naquele dia que chorei por ti
Não chorei em vão
Por uma pessoa qualquer.
Chorei por quem mais amava
E amei,
Por quem foi mais que um pai
Um mestre
Um irmão
Chorei por quem se foi
Sem dizer adeus pra mim.
Faz 7 anos e ainda choro ao escutar seu nome
Cuidas de mim daí de cima?
Velas meu sono toda noite?
Enxugas minhas lágrimas
E me ajudas a subir os degraus quando me canso?
Me pegas no colo assim como
Quando eu era criança
E você o meu padrinho?
Porque partiste?
Volta...
Volta...
Meu apoio
Ruiu
Na morte.
Quero-te aqui!!

E mesmo em lágrimas,
Ao ir me deitar,
Sinto teu beijo em minha bochecha
Desejando-me uma boa noite
E teu afago em minha cabeça
A me fazer dormir.

Te amo e nunca te esquecerei...

(In memorian of Eloi José Petry,
Padrinho, pai, amigo, companheiro...
O meu tudo que se foi...
25/05/2007)

terça-feira, 22 de maio de 2007


Com a mente ocupada
Coração fica de lado
Esperando uma chance
Pra tomar as rédeas da vida
E tirá-la do caminho da razão
Procurando vivenciar
Em uma nova estação
O cheiro do teu corpo
E o sabor dos teus lábios.
Com uma doce ilusão
Sensatez perdeu sua vez
Deixando remendado
O laço que prendeu
A memória ao esquecimento
Que se fez eterno
E agora é passageiro.
Trapos descartáveis
Em universos distintos
E distantes
De mim.

domingo, 13 de maio de 2007


Mãe,

Tão presente mãe.

Mãe,

Tão simplesmente mãe.

Mãe,

Tão bela mãe.

Mãe,

Tão viva mãe.

Mãe,

Tão gravada mãe.

Mãe,

Tão incondicional mãe.

Mãe,

Tão sensível mãe.

Mãe,

Tão vidente mãe.

Mãe,

Tão compreensiva mãe.

Mãe,

Tão minha mãe.

Mãe...

Sempre sempre mãe...

terça-feira, 8 de maio de 2007


E se até meu choro tiras
Como quer que eu sobreviva
Nesse mundo de dor?
E daí se lágrimas não resolvem,
Acaso não posso desaguar
Meu próprio desengano?
Se as coisas vão mal
Não culpes minha indiferença,
Não me preocupo com coisas banais...
Porque o que guardo dentro de mim
É maior que as circunstâncias que seus olhos vêem:
Tenho em mim o segredo da felicidade,
O Amor.

quarta-feira, 2 de maio de 2007


O que posso e não posso ser


Cansei de o mundo dizer
Com seus falsos e inuteis paradigmas
O que devo ou não fazer
O que posso ou não ser.

Cansei de olhar o mundo
Com os olhos que eles colocam em mim
O que devo ou não ver
O que posso ou não dizer.

Cansei de viver minha vida
Com as regras que me fizeste seguir
O que devo ou não entender
O que posso ou não escrever.

Cansei de te olhar
Como um obstáculo em minha vida
O que devo ou não pegar
O que posso ou não trilhar.

Cansei de ser aquilo
Que queres que eu seja
O que devo ou não viver
Quando posso ou não morrer.

domingo, 22 de abril de 2007


Que nostalgia!
O passado resplandece diante dos meus olhos
Como o farol do teu ônibus partindo para longe de mim...
E é difícil,
E é amargo,
Ver que tanto tempo passou
Sem você ao meu lado...
Quando voltas?
Hoje?Amanhã?Nunca?
Por que te perdi assim?
Amigo, fostes embora e me deixaste aqui!
Com meus castelos de areia derrubados pelo vento
E por ti.
Adeus, ou até mais?
Não sei...
Quiçá volte, me buscarás?
Talvez...
Se voltar, lembre-se de me procurar...
Estarei aqui, com o nosso monte de areia no mesmo lugar,
Esperando você para construir um altar
À nossa infância querida que não volta mais...